Sê um cristão diferente... Traça um caminho de Amor e Vida!
"O Bezerro de Ouro" (Ex 32, 1)
Desde sempre, o Homem não está talhado para ficar parado: chora para sair do berço, gatinha, dá os primeiros passos, tem vontade de correr, ...
O coração humano está talhado para caminhar; para o caminho. Mas como seres humanos, estamos habituados a caminhar fixados em algo. Quando deixamos de ver, a nossa primeira tendência é parar e começamos a buscar, a procurar algo onde nos podemos fixar, para continuar a caminhar. Quando estamos impedidos de ver, é difícil encontrar fora de nós algo que nos dê segurança. Um cego confia mais em si para caminhar do que nos outros, mas corre mais riscos.
Todo o homem tem duas opções quando começa a caminhar: caminha traçando caminho; caminha cavando uma cova.
Se olharmos para a caminhada que o povo judeu fez aquando da sua saída do Egipto, constatamos que caminhavam traçando caminho, até chegarem ao sopé do monte Sinai, ao qual Moisés sobe para estar com o Senhor. Com a demora de Moisés o povo começa a ficar impaciente. Eis o grande pecado do povo. Então decidiram construir um deus que caminhasse à sua frente (Ex 32, 1), para isso, utilizaram os seus ouros.
Mas que ouros são estes?
Não falamos do ouro metal, mas sim de todos aqueles nossos ouros a que nos habituamos e temos dificuldade de abdicar. Este ouro é tudo o que está na nossa vida e estava na vida daquele povo. Brilha mas é incapaz de nos dar brilho. É tudo aquilo que temos e que não somos.
Eis que este povo cria um deus feito à sua medida, à sua imagem e semelhança. Este é um erro que muitas vezes caímos sem darmos conta.
No dia seguinte, após terem feito o bezerro, o seu deus, eles ofereceram-lhe holocaustos e sacrifícios de comunhão e, depois de terem comido e bebido, colocaram-se a dançar em seu redor. O povo começa a caminhar cavando uma cova. No meio da areia do deserto, ao agirmos assim construímos uma vala.
O Senhor diz a Moisés para ir ter com o seu povo, pois este construiu um bezerro de metal perante o qual se prostraram e ofereceram sacrifícios. O povo construiu um bezerro de ouro e Deus chama-lhe um bezerro de metal fundido. Aquilo que para nós é ouro intocável, para Deus não passa de simples metal.
Só quando Moisés destrói o bezerro de metal, é que o povo é capaz de voltar a traçar caminho, tendo à sua frente, tal como desejavam, Deus. O povo ao criar o seu deus de ouro ficou mais pobre, ficou na obrigação de lhe oferecer sacrifícios e holocaustos para estarem em comunhão com ele, trocando-o assim pelo Deus que os enriquecia, que os fazia traçar caminho, que lhes dava brilho.
Será que estamos preparados para entender a que caminho Deus nos chama?
Vejamos Jesus, Aquele que está sempre a caminho, entre lugares e pessoas. Jesus está sempre na atitude de encontrar e de se deixar encontrar, numa atitude de constante procura, nunca está parado à espera que o procurem. Jesus toma sempre a iniciativa da procura (Zaqueu, Samaritana, Mateus, ...). Só é possível ser Jesus a tomar a iniciativa, pois Ele está sempre a caminho e todo aquele que está parado não pode encontrar nem ser encontrado, pois está instalado em si próprio. Só aquele que caminha é capaz de se desinstalar de si próprio. Só é possível caminharmos ao jeito de Jesus quando nos deixamos mover pelo mesmo que dava vida a Jesus, que é uma pessoa divina à qual costumamos chamar Espírito Santo. Só quando a nossa vida for dinamizada pelo mesmo dinamizador de Jesus, o Espírito Santo, é que seremos capazes de traçar caminho.
Jesus nunca nos disse o caminho, indicou-nos sim o jeito de caminhar. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), isto é, só aquele que for capaz de caminhar ao jeito de Jesus é capaz de se tornar caminho, viver na verdade e ser vida para os que o rodeiam, tal como Jesus foi vida para os que O rodeavam e é vida fecunda para todos aqueles que se “desinstalam” de si próprios, abrindo ao Espírito Santo a sua vida, para assim se construírem no amor e serem verdadeiramente imagem e semelhança de Deus.
No caminho que somos chamados a traçar, somos convidados a deixar de fazer deuses à nossa imagem e semelhança e sermos imagem e semelhança de Deus. Pessoas em relações de Amor, tal como Deus, que é Pai, que é Filho na relação com o Espírito Santo...